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Voa


Voa 

As asas foram cortadas assim que nascestes. Aprisionada fostes e jogada em meio aos medíocres. Disseram-te que era a escória. Que tudo que fazia estava errado. Que sua existência era um pecado. Não merecias os mesmos direitos...
 Tinha que pagar um preço. Sofrer por séculos. Ser humilhada, esculachada. Viver as escondidas. Sofrer maus tratos. Calada.
 E seu corpo era o caminho para o inferno. O pecado vinha de sua alma, transcorria pelo seu sangue e transcendia pela sua pele. E os mortais que te abusavam, eram escravos de seus pecados. Pois tu eras a maldição.
 Séculos de angustias, maus tratos e sofrimentos. "Liberte-se!" Era o que clamava seu corpo. "Fuja!" Era o que pedia sua alma.
 Mesmo com todo o trabalho feito para que tu se julgasse inferior. Para que sentisse como um erro. As amarras e as vendas não te seguraram por muito tempo. Um dia o brilho que era ofuscado pela burrice humana, ofuscou a todos. E como um grito enfurecido fostes a farra. E sem derramar uma gota de sangue, mostras-te do que era capaz.
 Liberdade dentro de uma prisão. Mas não é isso que queres. Seu corpo clama pela vontade de ser o que bem quiser, fazer o que bem entender. Ser e ter os mesmos direitos. Viver em igualdade. Pois maldição são os que te julgam. Os que querem te aprisionar. Viva a liberdade de viver a vida que tu quiseres. "Pois tu és a arquiteta de seus próprios sonhos."

Entre Cabelos e Barba

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