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Procrastinando universos


Procrastinando universos

Procure em cada gota d’água dentro do copo, que está no criado mudo ao lado da sua cama. Pois esse é o seu oceano. Procure em cada centímetro de madeira, dentro da caixa de fosforo ao lado do fogão. Porque essa é a maior floresta que irás desbravar. Procure em cada grão de areia contido dentro do vasinho, em cima da mesa de centro de sua sala de estar. Essa será a maior vastidão de terras que irás lavrar...
Caminhar sozinho pela imensidão de pensamentos. Dormir desamparado na imensidão dos sonhos. Correr; correr pelos destroços de pesadelos reais. E fugir; de casa, de si...
És uma vitrola estragada, um disco arranhado, um copo trincado. O último voou de uma borboleta. O último piscar de olhos. És a luz que se apaga ao sair do último telespectador. Deveria ser os aplausos, os sorrisos, as lágrimas de emoção. Mas vives do lado negro, sombrio, doloroso. És o esquecido, o nada, o indigente... Fugiste de todos sem perceber que estava fugindo de si.
Tenho pena das amarras que te prendem a esse mundo. A esse mundo que é o único que conhecestes dos milhares de mundos que existem por aí. Foste pego logo cedo, pela ganancia de corpos saturados em dores. Foste induzido ao erro. Ao erro de achar que ser único, ser só, é se perder em meio a um tempo que não para. Este te induz a morte por dentro, antes mesmo da morte por fora.
Cruel ser limitado ao pó? Cruel ser limitado ao nada? Cruel mesmo é viver procrastinando a própria vida. Viver deixando para mais tarde os desejos contidos na carne. Por simples inercia de comodismo, ou pelo medo de julgamentos alheios...

Entre Cabelos e Barba

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